Carbono azul: por que os oceanos são a peça que falta no combate à crise climática
Manguezais e pradarias marinhas guardam mais carbono por hectare que florestas tropicais — e desaparecem em silêncio.
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Os ecossistemas costeiros são os campeões silenciosos do sequestro de carbono. Esse "carbono azul" fica armazenado em manguezais, marismas, pradarias marinhas e no sedimento sob eles.
Um gigante subestimado
O diferencial dos ecossistemas costeiros não está apenas em quanto carbono capturam, mas em onde ele fica. O carbono florestal costuma retornar à atmosfera em décadas, quando a árvore morre e se decompõe. Nos manguezais, boa parte vai para o sedimento encharcado, onde a falta de oxigênio retarda a decomposição por séculos ou milênios.
Perda acelerada
Manguezais estão entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta, pressionados por carcinicultura, expansão urbana e obras costeiras. Quando um mangue é drenado, o sedimento é exposto ao oxigênio e o carbono acumulado ao longo de séculos volta à atmosfera em poucos anos.
O que já funciona
Programas de restauração costeira com participação de comunidades pesqueiras têm resultados mais duradouros que plantios isolados, porque quem vive da pesca tem interesse direto na sobrevivência do mangue. Créditos de carbono azul são considerados de alta qualidade justamente por acumularem três benefícios: sequestro, proteção contra ressacas e berçário para a vida marinha.
O Brasil nessa conta
O país abriga uma das maiores extensões contínuas de manguezal do mundo, boa parte no litoral norte. Proteger o que já existe custa uma fração do que custa restaurar — e é a ação com melhor retorno climático por hectare disponível hoje.